domingo, 16 de outubro de 2011

A Única Exceção

Em meu homizio eis que finalmente pude notar,
Por que não mais suporto o ignóbil odor da morte,
No fervor da irrupção eu lhe conheci...
E esta foi minha sorte,
Sem mais engodar percebi que nunca deixei de te amar;

Sem você é nada, com você felicidade,
Este infame sentimento foi minha maior verdade!
E hoje confesso com contemporânea sinceridade,
Não mais vejo sentido nesta autodestruição,
E hei de lutar até o meu fim por esta paixão!?

Estilhaçado meu coração, tudo volta para o lugar,
Pois insolente teu breve carinho me fez mudar,
Só o que falta é tua desventura de meu pecado,
Fazendo-me feliz, fazendo-me amado,
Vivendo um amor ainda mais apaixonado!

Por certo período até pude ser covarde ao negar,
E mesmo que eu calado ainda chorasse,
Temendo que o mundo sucumbido não acreditasse,
Não iria, mas me manter infeliz ao se enganar;
Um dia distante sei que vou deflorar,
A insana falta que você me faz,
Já enrolado não sabereis se vai acreditar,
Adormecida a fé que contigo o mundo é paz;

Por mais que ao contrário diga o dia,
Sei que a madrugada já não agrada mais,
Liberte-me desta terrível agonia,
Antes que o parco tempo diga: "Aqui Jaz!" [...]

(Bruno S. Carvalho)

Pontes Guimarães

Fugaz o fenecimento de um dia ser feliz,
Sordidamente fleumático poderás sempre perpetuar,
Me auto-flagelei e sem querer me quis,
Na balbúrdia meu coração aprendeu a amar;

Em mentirosa aurora suscito que isso irá passar!

Clichê dizer, mas guardo um retrato teu,
Tergiverso no mundo e grito por você: "Mei..."
Relutante meu eu chorando pelo seu,
O que faço espero da vida, te confesso eu não sei...

Mas juro pra mim, que te vejo voltar!

Esta prece é pagã, mas é tão leal,
Nostalgia infantil de minha cabeça,
Aguardo no mundo tua volta real,
Minha deusa, minha musa, minha princesa.

(Bruno S. Carvalho)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Dentro do Silêncio

Incontrolável o cruel declínio,
Explodindo um conflito esculturado,
Em velho seco, nobre barro,
Desembocando distante do fascínio;

Infinito o já transformado jarro...

Não sobraste nem funéreo tecido,
E imperdoável monótono insista em crer,
Já não, acontecerá de novamente morrer,
Dentro do silêncio, no olhar aflito;

A gélida energia,
Não me contagia,
E isto que inebria,
Infunda a autofagia;

Você sabe que a causa de toda insônia,
Razão do poeta tão soturno,
Decadente alcoólatra noturno,
Fora a nossa discórdia,

E o que você nunca vai saber,
É que sob o céu avermelhado,
Mantenho-me sempre acordado,
Escrevendo versos para você...

(Bruno S. Carvalho)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Melancolia

No aquário da vida não mais posso renegar,
Carrego uma depressiva e triste condição,
Sonho algum dia meu sorriso saciar,
Na rústica vida de doce imperfeição;

A fábula da mais esdrúxula solidão,
Nunca mais irás me acorrentar,
Banireis a perseguida contemplação,
Ofegante a volúpia música do sufocar!

No antigo panteão,
Inexplicável devorar,
Da sutil dominação,
Elo perdido do caminhar;

Um vento sincero e benévolo,
Suportaste a proliferação do incrédulo?

(Bruno S. Carvalho)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Jardins Adormecidos

A amarga genialidade do esplendor,
Remete-me a nosso belo ambiente,
Conturbado entre nuvens sem amor,
Eis que recordo que estás ausente...

Fascinado com tão rara beleza,
Num suave toque desprezado,
De teu fenomenal tom de pureza,
Anexado a meu coração crucificado!

Nobre instinto de olor mais astral,
Que admiro nesta nova dor,
Velha diversão de fervor magistral,
Junto ao leal amigo beija-flor;

Que me fazes confessar-te,
Só respiro para amar-te,
E mesmo após perder-te,
Ainda insisto em querer-te...

(Bruno S. Carvalho)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Esconderijo Noturno

Eis-que no espelho não mais vejo meu reflexo,
Perdeste aquela tela de sorriso constante,
Ouvindo o denso vidro de cinismo radiante,
Mantenho-me em discreto contorno perplexo;

Sucumbindo ao esforçar-me em cansaço,
Escrevo estas linhas de minha alma doente,
Enfeitando algum desfecho que talvez oriente,
O cansado sangue que tenho no braço;

E eu direi ao esconderijo do luar,
Propagando minha fala mais rara,
O amor decomposto de forma clara,
Tornares-me então um bipolar.

(Bruno S. Carvalho)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A Inveja

Perseguido pelo olhar da velha bruxa,
Subversivo, contemplo minha dominação,
Complexa me atormenta em sua busca,
Simbolizo-me em estado de meditação,
Porém algo lascivo repentinamente despertou...

O meu mais belo e corrosivo desprezo ao pudor,
Repudio todo este fanatismo imoral,
Prossigo amável e repulsivo no meu reino de terror,
Desfrutando os benefícios da vida carnal,
Consumindo a promiscuidade que sempre me amou!

Se pudesse destruir a inveja que nasce,
Inocente no olhar que me devora,
Tudo que consiste inexpressivo na face,
De quem sorri, mas por dentro chora.

(Bruno S. Carvalho)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Refúgio de Mim Mesmo

Perdido em um mundo de rancor,
Celebro o re-encontro de minha maldade,
Um delírio da flor, que, livre de amor,
Retira-me o que resta de sanidade;

Corrompido pelo algoz da frigidez!

Desesperado por um refúgio de mim mesmo,
Vejo minha felicidade tornar-se desgraça,
Ela hoje se define em garrafas e torresmo,
Até o iminente esvaziar de minha fina taça;

E assim então me liberte de uma vez!

(Bruno S. Carvalho)

Transtorno Psicológico

Sutilmente imprevisível, mas constante,
Desprezado pelo recanto do abrigo,
Imaginando uma morte hilariante,
O velho alcoolismo se mostra amigo!

Neste momento me sincronizo em dor e tremor;

Num frio simulado de um coração quente,
Pressinto que o fim retrata-se lógico,
E em um último ato sincero e circense,
Confesso que só queria você próximo...

Ilusões e artimanhas de um incomodo amor.

(Bruno S. Carvalho)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Talvez Vida

Entre escuridão e raios de luz,
Meu desespero reflete o medonho,
Abandonado por quem me seduz,
Sem alma, sem face, reflexo tristonho;

O ódio me segue na eterna estrada,
Um desgosto da vida à se anunciar,
Tristeza destilada de sangue e tara,
Contínuos demônios a me rodear;

Recordo de ti tranquila e intocável,
Sorri de minha cova confusa e breve,
Por algum tempo me foi agradável,
Depois seu coração se abrangia em neve;

Minha procura se tornou estúpida e banal,
Talvez salvasse-me do inferno de gelo profano,
Não exite e venha me ver execrado pelo mal,
E talvez lhe confesse: Que ainda te amo...

(Bruno S. Carvalho)