Neste peito habita um coração deteriorado,
Suplicante por paz e contentação,
Mas a vida só o permite estrofes de alegria,
Jamais uma canção de verdadeira emoção;
A antiquada tempestade de embriaguez,
Deveras não atinge com sensualidade,
O ultrajante ato de estúpida loucura,
Não corrompe o recanto do abrigo;
Salvo da terra dos ladrões de ternura,
Acima do esconderijo das falsas ilusões,
Incógnito diante os olhos da amargura,
Mórbido perante a voz de seu amor...
Dentro do velho terno de ironias,
Vestindo a barba da decadência,
Recordo dos tempos de felicidade,
Quando sabiamos ser felizes de verdade!
(Bruno S. Carvalho)