sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Dentro do Silêncio

Incontrolável o cruel declínio,
Explodindo um conflito esculturado,
Em velho seco, nobre barro,
Desembocando distante do fascínio;

Infinito o já transformado jarro...

Não sobraste nem funéreo tecido,
E imperdoável monótono insista em crer,
Já não, acontecerá de novamente morrer,
Dentro do silêncio, no olhar aflito;

A gélida energia,
Não me contagia,
E isto que inebria,
Infunda a autofagia;

Você sabe que a causa de toda insônia,
Razão do poeta tão soturno,
Decadente alcoólatra noturno,
Fora a nossa discórdia,

E o que você nunca vai saber,
É que sob o céu avermelhado,
Mantenho-me sempre acordado,
Escrevendo versos para você...

(Bruno S. Carvalho)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Melancolia

No aquário da vida não mais posso renegar,
Carrego uma depressiva e triste condição,
Sonho algum dia meu sorriso saciar,
Na rústica vida de doce imperfeição;

A fábula da mais esdrúxula solidão,
Nunca mais irás me acorrentar,
Banireis a perseguida contemplação,
Ofegante a volúpia música do sufocar!

No antigo panteão,
Inexplicável devorar,
Da sutil dominação,
Elo perdido do caminhar;

Um vento sincero e benévolo,
Suportaste a proliferação do incrédulo?

(Bruno S. Carvalho)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Jardins Adormecidos

A amarga genialidade do esplendor,
Remete-me a nosso belo ambiente,
Conturbado entre nuvens sem amor,
Eis que recordo que estás ausente...

Fascinado com tão rara beleza,
Num suave toque desprezado,
De teu fenomenal tom de pureza,
Anexado a meu coração crucificado!

Nobre instinto de olor mais astral,
Que admiro nesta nova dor,
Velha diversão de fervor magistral,
Junto ao leal amigo beija-flor;

Que me fazes confessar-te,
Só respiro para amar-te,
E mesmo após perder-te,
Ainda insisto em querer-te...

(Bruno S. Carvalho)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Esconderijo Noturno

Eis-que no espelho não mais vejo meu reflexo,
Perdeste aquela tela de sorriso constante,
Ouvindo o denso vidro de cinismo radiante,
Mantenho-me em discreto contorno perplexo;

Sucumbindo ao esforçar-me em cansaço,
Escrevo estas linhas de minha alma doente,
Enfeitando algum desfecho que talvez oriente,
O cansado sangue que tenho no braço;

E eu direi ao esconderijo do luar,
Propagando minha fala mais rara,
O amor decomposto de forma clara,
Tornares-me então um bipolar.

(Bruno S. Carvalho)