Eis-que no espelho não mais vejo meu reflexo,
Perdeste aquela tela de sorriso constante,
Ouvindo o denso vidro de cinismo radiante,
Mantenho-me em discreto contorno perplexo;
Sucumbindo ao esforçar-me em cansaço,
Escrevo estas linhas de minha alma doente,
Enfeitando algum desfecho que talvez oriente,
O cansado sangue que tenho no braço;
E eu direi ao esconderijo do luar,
Propagando minha fala mais rara,
O amor decomposto de forma clara,
Tornares-me então um bipolar.
(Bruno S. Carvalho)
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